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xama

Queridos e queridas,

Outro dia, e não é a primeira vez, em uma vivência sobre xamanismo e tarô, me perguntaram se eu sou uma xamã. Sempre respondo que não me considero, pois tenho comigo que essa palavra corresponde a uma maestria especial de um ser que alcaçou elevada sabedoria espiritual, me considero uma caminhante do bom caminho vermelho do coração, como dizem no meu povo.

 Mas lendo a definição do Clã Lobos do Cerrado me identifiquei muito com seu
entendimento e repasso para voces como resposta a essa sempre recorrente
pergunta: Você é uma Xamã?

Afinal, a pergunta talvez valha mais que a resposta: Quem sou eu?

“Uma definição básica de um Xamã é relacionada as culturas primitivas que
respeitam a natureza e todas suas coisas viventes. Xamanismo não vê todas as
coisas como objetos fixos, como geralmente nossas convicções ocidentais
sugerem, mas como padrões de energia correntes, constantemente fundindo,
trocando, e vagueando separadamente em uma dança infinita.
O Xamã é reconhecido como sendo uma pessoa com esta dança de energia, e como
tal, está constantemente trocando energia com todas as coisas, vivendo em
mudança constante.

Nós nunca podemos ser exatamente como éramos a um minuto atrás, nós não
podemos viver em nosso passado, nenhum poder reside no presente momento,
temos que aceitar os padrões de energia que estão em nós.
Outro aspecto de convicção do Xamanismo é aquele mito da realidade dos dois
lados da mesma moeda, diz de quem e como. Consequentemente, ambos são
válidos. Uma pessoa simplesmente não pode existir sem a outra. Como Lao
disse de Tsé, ” Um é cria do outro “.
Quando nós estudamos os mitos, quando nós procuramos profundamente dentro de
nós mesmos as respostas, nós aprendemos a entender nós mesmos e nossa
conexão verdadeira com todas as coisas. Só deste modo, reconhecendo que nós
somos tudo e tudo somos nós, poderemos verdadeiramente entender e curarmos
nós mesmos e nosso mundo.

Quando nós viajamos em nossas visões, nossa mente subconsciente cria imagens
que nos permitem entender o mundo, só palavras não podem descrever
completamente o que fazemos nessas visões. Isto é por que algumas pessoas
vêem anjos enquanto outros são visitados por E.Ts e ainda outros falam com
espíritos animais.
Nossas mentes apresentam um pedaço de nós nessas imagens para que nós
possamos nos entender melhor como indivíduos.

Assim que comecei a trilhar o caminho do Xamanismo, uma Xamã romena me
ensinou: “Xamã é uma palavra de origem tunguska (povo nativo da Sibéria),
designando uma pessoa que pode “voar” para outros mundos, entrar em um
estado extático e ter acesso e contato com seus aliados (animais, vegetais,
minerais), seres de outras dimensões e os espíritos ancestrais.

O Xamã se diferencia do mago, curandeiro, feiticeiro ou bruxo, pela forma de
comunicação com outros mundos. O Xamã se identifica com os seus auxiliares
ao se transportar para outros planos, enquanto os outros invocam estes seres
para seus rituais e trabalhos mágicos.”

Eu sinto que qualquer um que começou a buscar profundamente resgatar  o
contato perdido com a Mãe Terra, achando o lugar deles no grande círculo da
vida, restabelecendo assim o seu próprio equilíbrio, é um ” Xamã ” moderno.
Ser um Xamã não confere grandes poderes ou grande respeito. Mas, é uma
responsabilidade para nós mesmos e nosso mundo, para curar e ensinar os
outros a viverem em paz com todas as coisas.”

Texto do Clã Lobos do Cerrado

http://www.xamanismo.com/

Uma linda tarde a todos

com todas minhas relações

Izabel – Yololo

Quando os sentimentos tornam-se inadmissíveis
:: Bel Cesar ::

Em tibetano, a palavra Chog Shes significa aceitação da vida simplesmente como ela é, isto é, manter um relacionamento direto com nossas experiências sejam de alegria, medo, expectativas ou ressentimentos. Chog Shes é, portanto, a ausência de neurose, pois, quando estamos neuróticos, fazemos exatamente o contrário: rejeitamos a vida como ela é.

Em geral, quando algo nos desagrada, nossa primeira reação é dizer: “Não acredito!”. Na tentativa de não sofrer, buscamos, sem nos dar conta, métodos para nos anestesiarmos da frustração eminente. Alguns desses métodos podem funcionar temporariamente, mas quando somos tomados pela indignação estamos fadados a sofrer mais, pois estamos exagerando, pondo fogo no fogo de emoções que já estão fervilhando dentro de nós.

Quando lidamos com as emoções tal como elas chegam até nós, começamos a atenuar nossa visão neurótica da vida. O segredo está em não resistir ao que emerge em nós e, ao mesmo tempo, saber não adicionar algo a mais a esta experiência.

Mas não é tão simples assim, uma vez que fomos educados para sermos bons e eficientes e, por isso, aprendemos a ver nossos defeitos como inaceitáveis!

Não aprendemos a nos auto-acolher ou a termos compaixão por nós mesmos. Como não sabemos como lidar com nossos defeitos, passamos a rejeitá-los, e rejeitando a nós mesmos, rejeitamos a vida!

Podemos reconhecer que estamos nos perdendo quando exageramos nossas reações emocionais. Por exemplo, quando nos pegamos dizendo: “Eu não devia estar sentindo isso”, “Não acredito que fiz isso de novo”, “Que vergonha, nunca mais quero mostrar minha cara” ou mesmo “Que raiva que ele fez isso comigo de novo”…

Se algo é visto como inaceitável, não tem reparo nem negociação. Então, instintivamente escondemos e negamos estes impulsos inaceitáveis. Assim, mais uma vez nos afastamos de nós mesmos.

O medo de não ser capaz de lidar com nossa sombra ou de sermos excluídos pelo outro, caso ele a veja, nos leva cada vez mais a negar nosso lado não desenvolvido. O que não combina com o desenvolvimento do nosso ego ideal, torna-se sombra. Neste sentido, na medida em que procuramos ser bons e fazer o bem, vamos reforçando uma imagem idealizada de nós mesmos. Desta forma, vamos criando polarizações cada vez mais distintas: “sou assim e não assado”. Vamos empurrando para longe de nós o que não somos e sem nos darmos conta, deixamos de cuidar de nossas sombras!

Por isso, quando surgem os sentimentos inadmissíveis, temos a oportunidade de encarar de frente o que, até então, estávamos evitando. Só quando aceitamos sentir o inadmissível, voltamos a ser ‘um’ em nosso mundo interno. Dizem que Jung teria perguntado a um de seus pacientes: “Você prefere ser inteiro ou bom?”