Monja Coen

 

Então como proceder?

Primeiro vejamos que não é a ação particular que está em questão – de todo jeito vamos viver uma vida generosa. É a minha consciência do que acompanha o ato de generosidade (o reconhecimento de minhas reservas em dar, ou meu ressentimento, minha ansiedade quando eu sirvo o outro ou seguro minha língua irada) que aos poucos me transforma. É a experiência de minha própria indelicadeza que pode me habilitar a ser verdadeiramente gentil generoso.  

O que significa experimentar minha própria indelicadeza? Primeiro, uma observação impessoal e sem julgamentos de meus pensamentos indelicados é necessária – sem nenhuma análise, apenas atenção pura. Segundo, devo experimentar diretamente a tensão corporal que é o espelho exato de meu pensamento separador, meu medo. Neste experimentar, neste samadhi de não-pensamento, eu sou os outros e a gentileza é a minha verdadeira natureza. Mais e mais eu vejo meus próprios pensamentos indelicados como o sonho que são (e vejo também que meus ideais são os filhos deste sonho).  

Nesta prática ou zazen, nossa experiência do que nossa vida é devagar clareia, e mais e mais sua expressão natural é a gentileza e a compaixão.  

Fácil? Nem um pouco. Achamos difícil de fato nos afastar de nosso falso desejo por um ideal (sempre envolvendo julgamento sobre nós e os outros) e praticar com a experiência direta de nossa vida neste exato momento. Mas em nome de nossos votos de fidelidade a toda a vida, apenas fazemos, pacientemente e com determinação.